1. O uso das tecnologias digitais pode contribuir para a emergência do pensamento, desde que a horizontalidade das trocas que promovem não exclua a procura da verdade.
2. O uso das tecnologias digitais pode contribuir para a emergência do pensamento, desde que o imediatismo que elas promovem não exclua a exigência da pausa que permite a reflexão.
3. O uso das tecnologias digitais pode contribuir para a emergência do pensamento, desde que a educação tenha como objectivo ajudar os alunos a ingressar no simbólico.
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É preciso fazer uma pergunta simples que, por si só, nos pode permitir identificar algumas chaves para a acção quotidiana, que ao mesmo tempo nos ajuda a focarmo-nos no que importa: em que condições o uso das tecnologias digitais nas escolas pode contribuir para o desenvolvimento do pensamento?

1. A utilização das tecnologias digitais pode contribuir para a emergência do pensamento, desde que o carácter horizontal das trocas que elas favorecem não exclua a procura da verdade. A tecnologia digital, através da Internet e de todos os instrumentos de comunicação "em tempo real" que ela permite, modificou radicalmente o acesso à informação. Qualquer estudante, da escola primária à universidade, tem acesso instantâneo a um manancial de dados. A investigação documental, outrora confinada ao mundo abafado das bibliotecas e dos centros de documentação, está agora à distância de um clique, a partir de qualquer lugar, sem requisitos especiais. Os motores de busca são consultados sistematicamente e abrem uma quantidade fabulosa de documentos de todos os tipos: textos digitalizados, fotografias e vídeos, textos de arquivo e peças noticiosas. Tudo isto dá a impressão de que o conhecimento está a tornar-se acessível a todos, e que cada estudante está ao mesmo nível face ao acesso à “cultura”.
É claro que raciocinar assim é ignorar o paradoxo que está no cerne de todas as políticas culturais, já apontado por Bourdieu no seu estudo sobre os museus: o simples aumento da oferta aumenta as desigualdades porque se apoia na procura daqueles que têm o capital simbólico, para desejar apropriar-se dos bens culturais assim oferecidos. E tanto mais que, no caso da Internet, ignoramos também a natureza da "investigação" que aquela oferta permite.
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