terça-feira, 6 de janeiro de 2026

A monodocência na berlinda

Este é um tema que volta à ordem do dia, não sei se pelas melhores razões! E nestas razões são mais os interesses corporativos do que os interesses das crianças que estão presentes. Paulo Guinot, por exemplo, passa por estes interesses, em “O meu quintal”, como o gato passa pela água.

A redução da componente lectiva é incompatível com a monodocência, ponto. Então, para satisfazer a reivindicação dos professores do 1° Ciclo (aliás, justa), Paulo Guinot propõe o fim da monodocência, com argumentos que confundem pluridocência com disciplinarização — confusão que procuro desfazer no texto “A reestruturação dos Ciclos do Ensino Básico” —. Note-se que não é uma solução que apresenta, mas “A SOLUÇÃO”, assim mesmo, desta forma tão humilde!

Mas há uma solução, que já vigorou no passado e com a qual todos se sentiram confortáveis, que passa por compensá-los, na idade da reforma. Ou então fazer recair a redução da componente lectiva, no final da carreira (uma solução que poderia ser alargada a todos os professores que assim o desejassem, independentemente do nível de ensino que leccionam).

Não sei quantos anos sem componente lectiva, ou de antecipação da reforma, isto daria. Alguém que saiba fazer as contas melhor do que eu que as faça. Mas sei que não são, de todo, hipóteses a descartar.

Infelizmente, o que parece ser de descartar, neste confronto de interesses, são os interesses das crianças. A discussão do modelo de organização do ensino não interessa para o debate, quando o que está em causa é o interesse do professor que quer a sua redução já!

E já agora, continuando neste registo de justiça no que respeita aos interesses dos professores do 1° Ciclo, onde está a justiça para as educadoras e educadores de infância?

Daniel Lousada

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Um poema que não é de Natal... Mas ficou a ser

Com dois versos acrescentados no fim, este poema passou a ser poema de Natal.


Com tantos poemas de Natal, que circulam por aí, porquê e para quê isto? Primeiro porque sim. E depois, porque sim também! Não anda por aí a expressão, «Natal é quando um homem quiser», popularizada num verso Carlos Ary dos Santos? Então, um poema é de Natal, sempre que o leitor quer!

sábado, 20 de dezembro de 2025

Natal de quê? De quem?

Encontro-me hoje com “Natal de 1971” de Jorge de Sena. Cinquenta e quatro Natais passados, e tanta coisa passada entretanto! E interrogo-me: que distingue o Natal de 1971 do Natal que agora bate à porta? Não sei!

Fosse Jorge de Sena ainda vivo, como seria o seu “Natal de 2025”, se estivesse na disposição de escrevê-lo? Seria outro o seu poema? Ou limitar-se-ia a trocar 1971 por 2025, mantendo o poema em tudo igual?

Vou ao Sr. Google perguntar pelo estado do mundo em 1971. O seu assistente IA atira-me com a guerra Indo-Paquistanesa, a Guerra do Vietname, os conflitos na Irlanda do Norte, a que se juntam outros conflitos menores. 

Entre nós, as Guerras Coloniais (ou ultramarinas, como se dizia por cá) estavam no seu ponto crítico. E um povo, entre a mordaça e a anestesia, (sobre)vivia num país orgulhosamente só.

Será de mim? Ou…, mordaças à parte, não estaremos a entrar numa anestesia idêntica?

Daniel Lousada