A pedagogia está mais presente nas crianças pequenas e vai diminuindo com o avanço das idades. Enquanto a atenção está centrada nos alunos, a pedagogia prevalece; quando se dirige para o conhecimento, desaparece. Estranha realidade.
A preocupação principal da pedagogia tem de ser com o conhecimento e com a forma como este é apropriado pelos alunos.
Recordo os três vértices do triângulo pedagógico popularizado por Jean Houssaye: conhecimento — professor — alunos. Há sempre um dos vértices que ocupa o «lugar do morto». Assim: na lógica aprender, há uma relação prioritária entre o conhecimento e os alunos com o professor no «lugar do morto»; na lógica ensinar, esta relação é sobretudo entre o professor e o conhecimento, com os alunos numa atitude mais passiva; na lógica formar, a relação estabelece-se primordialmente entre o professor e os alunos, com uma presença menor do conhecimento.
Já escrevi , em diversas ocasiões, sobre este triângulo e os seus prolongamentos. Agora, interessa-me sublinhar que a pedagogia só existe quando é capaz de juntar estes três vértices. Não é, apenas, uma relação entre professor e alunos. Sem conhecimento não há pedagogia.
António Nóvoa, excerto de "A colaboração é o normal", in «Viagem. Por escolas de Portugal», Porto Editora, 2026, pp. 19-23

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